Controvérsias sobre glaciares, federalismo e desenvolvimento económico
DOI:
https://doi.org/10.48160/22504001er33.749Palavras-chave:
Lei de Glaciares; História ambiental; SecaResumo
Este ensaio analisa a recente reforma da Lei de Glaciares na Argentina (abril de 2026) em um contexto de crise hídrica e regressão ambiental acelerada. Examina-se a transição de uma proteção geral dos corpos de gelo para uma categorização baseada em critérios de "utilidade estratégica", o que gera uma contradição ontológica com a ciência glaciológica e ambiental que reconhece todo glaciar como hidricamente valioso. Além disso, discute-se uma interpretação do "federalismo" que coloca em risco os interesses nacionais para atrair investimentos extrativistas por meio de marcos que são frouxos em termos de tributos, controles e benefícios que favorecem grandes corporações em detrimento do interesse público. Esses processos tensionam a autonomia técnica do Inventário Nacional de Glaciares e colocam em risco as reservas estratégicas de água para atender a promessas de um desenvolvimento econômico incerto quanto à sua temporalidade e à amplitude cidadã que alcançaria.