O desastre como paradigma de governo do vivo
sobre os glaciares e o extrativismo neoliberal no Chile e na Argentina
DOI:
https://doi.org/10.48160/22504001er33.748Palavras-chave:
glaciares, extrativismo neoliberal, glaciares – extrativismo neoliberal – desastre – história ambiental – nat, desastre, história ambiental, natureza, governo do vivoResumo
No contexto da crise ecológica e ambiental contemporânea e do crescente estresse hídrico que atravessa grande parte da América Latina, os glaciares adquiriram uma relevância estratégica tanto ecológica quanto política. No Chile e na Argentina, países andinos, essas massas de gelo constituem reservas fundamentais de água doce, reguladores naturais dos ecossistemas e produtoras de bacias hídricas essenciais para a reprodução da vida humana e não humana. Contudo, longe de se consolidarem axiomaticamente como territórios indispensáveis à vida e, portanto, protegidos diante do avanço extrativista, os glaciares e os ambientes periglaciares tornaram-se objeto de disputa entre interesses ambientais, científicos, comunitários e corporativos, particularmente ligados à megamineração e à expansão de atividades extrativistas sobre a cordilheira dos Andes. A aproximação aos casos chileno e argentino nos permite expor tanto os alcances e limites dos marcos regulatórios atuais quanto a forma pela qual o desastre — constitutivo da intensificação do extrativismo neoliberal — opera como paradigma de governo sobre o vivo.