A cooperativa como campo de disputa: tensões organizacionais e sentidos divergentes na agricultura missionária.
DOI:
https://doi.org/10.48160/22504001er32.676Palavras-chave:
Cooperativismo agrícola; Autonomia; Subordinação; Organizações institucionais em transformaçãoResumo
Este artigo propõe uma análise comparativa das trajectórias cooperativas em duas zonas citrícolas da província de Misiones - Alto Paraná e Alto Uruguai - a partir de uma tensão fundamental: a ambivalência do cooperativismo agrário como forma organizativa que pode funcionar tanto como estratégia de autonomia camponesa como instrumento de controlo empresarial. Através de uma reconstrução histórica e etnográfica, são examinadas as condições de emergência e de transformação de duas experiências cooperativas emblemáticas. Por um lado, a Cooperativa Agrícola de Eldorado (CAE), com uma orientação mutualista e reivindicativa, surgiu nas primeiras décadas da colonização e, por outro lado, a Cooperativa de Tabacos de Misiones (CTM), com um perfil empresarial, consolidou-se como mediadora num esquema de integração vertical. A análise sugere que essa diferença não pode ser reduzida a uma questão cronológica ou institucional, mas expressa regimes diferenciados de articulação entre produtores, mercados e dispositivos estatais. Ao problematizar o rótulo “cooperativa” como um significante em disputa, o artigo oferece uma visão situada das mutações do cooperativismo em Misiones em contextos de mudança estrutural, e levanta questões sobre se estes modelos representam uma evolução histórica ou a coexistência de projectos organizacionais divergentes e conflituosos na agricultura regional.