Entre mingas, pucherones e assembleias. Agroecologia comunitária em El Soberbio (Misiones).
DOI:
https://doi.org/10.48160/22504001er32.674Palavras-chave:
agroecologia, desenvolvimento rural, migração, agricultura familiar, associativismoResumo
El Soberbio, cidade localizada no centro-leste da província de Misiones (Argentina), é testemunha direta do avanço do capitalismo agrário na América Latina.
Nas primeiras décadas do século XXI, diante da necessidade de gerar não apenas melhorias gerais nas condições de vida das populações rurais historicamente marginalizadas dos benefícios do desenvolvimento rural, mas também de gerar formas de produção e comercialização alternativas a esse modelo de produção hegemônico, ativam-se processos de valorização dos bens primários e novas formas de conexão com a natureza, o meio ambiente e entre os homens e mulheres que habitam esses territórios. O mundo rural não é mais visto apenas por sua miséria e privação, mas agora se redefine.
Propomos uma análise de diversas experiências e projetos agroecológicos que se consolidaram desde o final dos anos 2000 e perduram até hoje em El Soberbio, impulsionados por um novo fluxo migratório proveniente de grandes metrópoles do nosso país, da região e do mundo. Em coordenação com a população local, implementam estratégias de resiliência da agricultura familiar que promovem o enraizamento rural, fortalecem a soberania e a segurança alimentar e permitem alcançar maiores rendas por meio da implementação de práticas de manejo sustentáveis com mínimo impacto ambiental.
Por meio de uma abordagem etnográfica, este artigo visa analisar as principais características desses projetos agroecológicos de base comunitária, bem como investigar as demandas e queixas que emergem dessas associações, como realizam seu trabalho cotidiano, sua organização interna e sua tomada de decisões