Configurações Espaciais do Agro Argentino.
Análise das Estruturas Sociais na Argentina com Dados de Alta Resolução (2018–2020)
DOI:
https://doi.org/10.48160/22504001er32.635Palavras-chave:
questão agrária, clustering, estruturas agrárias, tipologiaResumo
Este trabalho busca identificar as diferentes estruturas sociais agrárias concretas existentes no interior da formação social argentina atual. Em abordagens anteriores, trabalhou-se com informações provenientes de fontes censitárias (populacionais e agropecuárias), mas essas análises ficaram limitadas ao nível departamental, devido à forma como alguns dados censitários eram apresentados. No entanto, a publicação posterior de duas fontes inéditas possibilita superar essas limitações (ainda que introduzam novos desafios): o banco de dados dos Núcleos de Agricultura Familiar (NAFs), que abrange o período de 2009 a 2018, produzido pelo antigo Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca; e a tabela de estabelecimentos agropecuários que contrataram ao menos um trabalhador assalariado em 2020, proveniente do Mapa Produtivo, elaborado pelo Centro de Estudos para a Produção, vinculado ao antigo Ministério da Produção. Ambas as fontes oferecem informações sobre a localização espacial específica das unidades do setor agropecuário situadas em dois polos extremos: pequenas unidades familiares que recebem algum tipo de assistência estatal e estabelecimentos que contratam diferentes quantidades de trabalhadores assalariados, o que pode ser considerado um indicador "proxy" de seu tamanho.
A partir da tesselação da superfície da Argentina em hexágonos de 5 km², analisa-se (por meio de técnicas de redução de dimensionalidade e agrupamento) a articulação dos diferentes tipos de produtores nesse nível de desagregação, constituindo uma tipologia atualizada das estruturas agrárias concretas. O estudo identifica sete microestruturas, cada uma com composições e articulações distintas de formas produtivas, distribuídas em dois grandes territórios sociais. Esses territórios diferenciam-se pela predominância de um grupo de produtores (e trabalhadores) que enfrentam sérias dificuldades para garantir sua subsistência em condições mínimas normais.